Curso EaD gratuito
- TÉCNICAS BÁSICAS DE ÁUDIO E GRAVAÇÃO por Renato Coppoli https://ead.sesc.digital/cursos/course-v1:sescsaopaulo+c007+2021_audioegravacao/sobre
Equalizador — Um Bicho de Muitas Cabeças
Treinar, ou não treinar? Eis a questão!
Há 15
anos, quando comecei a trabalhar com áudio numa igreja evangélica, no Rio de
Janeiro, o que conhecia do assunto era exatamente nada. Era um estudante de
engenharia que conhecia alguma coisa de eletrônica e nada mais.
Naquela época não havia a farta
literatura e revistas técnicas que encontramos hoje, e estudar o assunto, mesmo
que por conta própria, era muito difícil. Sendo assim, o treinamento e a
especialização, eram privilégio de alguns.
Hoje, a situação que se
apresenta é completamente diversa daquela que encontrei quando comecei.
Existem, em diversos pontos do país, notadamente no eixo Rio-São Paulo,
empresas e profissionais competentes que oferecem seus serviços para treinar e
equipar aqueles que se dispuserem a aprender com know-how (conhecer-como) de
última geração.
O principal problema que
enfrentamos em nossas igrejas reside no fato de que as técnicas para o emprego
do Áudio evoluíram, mas nós, enquanto grandes usuários dessa ciência, ainda a
encaramos como um mero detalhe nos nossos processos litúrgicos.
Em geral nossos templos são
projetados levando-se em consideração os aspectos estéticos. São raros aqueles
onde se nota uma preocupação com a acústica, ou com a inteligibilidade da
mensagem musical ou da Palavra.
A preocupação é menor ainda
quando se trata de oferecer capacitação técnica àqueles que são responsáveis
por manter e operar o sistema de reforço sonoro, que deve oferecer boas
condições de inteligibilidade à transmissão dessas mensagens.
Freqüentemente os operadores de som (ou sonoplastas) são lembrados quando
ocorre algum problema durante o culto ou programa especial. Todos olham em sua
direção com expressões de recriminação em seus rostos como a dizer: “o que esse
rapaz pensa que está fazendo?”, ou ainda, “se eu estivesse lá, isso não
aconteceria”.
O fato é que, em grande parte
dos casos, “esse rapaz” para quem todos olham de forma condenatória, está ali
sem qualquer tipo de orientação ou, em muitos casos, sem conhecimento do
equipamento que tem em suas mãos para operar.
Precisamos nos lembrar que o
som produzido em nossas igrejas, seja ele falado ou musicado, é o principal
meio de comunicação do Evangelho e por isso deve ser tratado com a importância
que lhe é devida.
Há inúmeras vantagens em possuir, nas nossas
igrejas, equipes de operadores de som bem treinadas. Gostaria
de enumerar algumas:
1. Redução dos Riscos de Defeitos
A primeira vantagem de possuir
uma equipe treinada é a redução dos riscos de ocorrência de defeitos no sistema
de som.
Em vários trabalhos de
consultoria desenvolvidos junto às igrejas, tenho notado que boa parte dos
problemas encontrados nos equipamentos de áudio são causados pelos operadores.
O mais comum está relacionado
ao casamento de impedâncias entre o amplificador e as caixas acústicas. O
problema seria facilmente evitado se o operador tivesse passado por algum tipo
de treinamento onde veria, com toda a certeza, como fazer para casar as
impedâncias do amplificador com seus sonofletores.
Um operador treinado sabe como
dimensionar a bitola de seus cabos em relação às distâncias envolvidas no seu
sistema de reforço sonoro, sabe que tipo de cabo utilizar para conectar seus
vários equipamentos, etc.
São cuidados, dentre outros,
que prolongam a vida útil do sistema e que certamente redundam em economia de
gastos da igreja com técnicos de eletrônica ou com a aquisição de novos
aparelhos.
2. Orientação para Aquisição de Novos
Equipamentos
Outra vantagem do sonoplasta
capacitado se apresenta quando há necessidade da substituição de algum dos
equipamentos existentes, ou do redimensionamento do sistema como um todo.
Supondo que haja uma consultoria externa, o técnico de som é capaz de julgar a
eficácia das propostas do consultor, avaliar o trabalho que está sendo
desenvolvido, aconselhar a liderança da igreja nos procedimentos a serem
adotados, sempre levando em consideração a relação custo-benefício.
Nos últimos dez meses venho
prestando assessoria a uma igreja evangélica em Vitória, onde o responsável
pela sonoplastia é um técnico bastante competente e treinado. Em função disso,
estabeleceu-se uma comunicação eficiente e proveitosa. Ele, com os
conhecimentos adquiridos no treinamento e baseado em sua experiência, sabe
traduzir com eficiência as necessidades da igreja e avaliar com segurança a
qualidade da consultoria que lhe está sendo oferecida.
3. Qualidade na Reprodução Sonora
Por fim, uma outra vantagem de
se possuir uma equipe treinada é a qualidade da reprodução sonora na igreja.
No trabalho desenvolvido junto
às igrejas capixabas, tenho observado que as principais reclamações das
assistências são: volume muito alto, falta de inteligibilidade do que é dito ou
cantado, som agudo demais, etc… e a lista não tem fim.
Na verdade, a maior parte
desses problemas listados são conseqüência da inabilidade do operador em
aproveitar os recursos dos equipamentos disponíveis em suas mãos.
Com o treinamento, o operador
torna-se capacitado a utilizar todos os meios que, por exemplo, as mesas de som
e os equalizadores oferecem para que a qualidade do som que trafega em seus
circuitos seja a máxima possível.
David Fernandes
Tecnólogo em Telecomunicações e Consultor de Áudio
Membro da AES
audiocon.mail@uol.com.br
http://www.audionasigrejas.org/treinar-ou-nao-treinar-eis-a-questao/
Microfones: Amigos ou Inimigos?
O microfone está para
um sistema de sonorização assim como o ouvido está para o corpo humano. Ele é o
responsável por captar a onda sonora e transformá-la em algo que os
equipamentos eletrônicos (amplificadores, mesas, etc.) possam entender e usar.
O microfone comporta-se exatamente como o ouvido humano quando este capta as
ondas sonoras e as transforma em sinais elétricos para que o cérebro as entenda
e processe.
http://www.audionasigrejas.org/microfones-amigos-ou-inimigos/
Amplificador: O Coração do Sistema de Som
Introdução
É isso aí. O amplificador é o
coração de um sistema de sonorização porque é responsável por distribuir
energia às caixas acústicas. Os equipamentos de áudio trabalham internamente
com baixos níveis de corrente e tensão no processamento do sinal (da ordem de
milivolts e miliampères), que não são suficientes para excitar um sistema de
alto-falantes ou caixas acústicas. A reprodução sonora por meio de um sistema
de caixas acústicas exige maior potência e é aí que entram os amplificadores,
que recebem sinais de outros equipamentos tais como consoles de mixagem,
equalizadores, crossovers etc, e os transforma em sinal capaz de estimular os
circuitos do alto-falante
http://www.audionasigrejas.org/amplificador-o-coracao-do-sistema-de-som/
Dirigir do Porta-Malas
Olá,
vamos falar sobre algo bem comum e que, por experiência própria, sei que
incomoda muita gente.
Quantas vezes você teve que
operar o áudio de traz do P.A., salvo quando está na mesa de monitor?
Saí a expressão dirigir do
porta-malas, pois fica complicado você ter que mixar de trás do P.A., o
próprio.
1.
Quando você está bem atrás das caixas vai
perceber os graves sobressaindo. Então, intuitivamente, você vai abaixar os
graves, pois eles vão te incomodar.
2.
Os músicos estarão no palco pedindo tudo muito
alto (como de costume) e toda a sua referência será do palco.
3.
Você sempre vai acabar em um som sem SPL e com
muita reclamação de que ninguém está ouvindo a voz dos cantores, que a
percussão está alta…
4.
O contato direto com os músicos facilita e
acaba obrigando a um compromisso maior com os músicos e não com o público.
O que deve ser feito?
1.
Se tiver disponibilidade chegue sempre antes
dos músicos para que ter noção do que é realidade e o que que é pilha dos tais.
2.
Procure que todos monitores estejam numa
resposta plana, sem excessos de graves, pois há uma soma com os que vêem do
P.A. Isso vai te incomodar menos na mixagem, pois as freqüências de 250 a 500Hz
começam a flutuar no palco porque às vezes tem um violão no chão com o
volume aberto, ou o músico deixa o microfone no chão e você não acha o bendito,
daí começa a cortar todas as freqüências nos equalizadores gráficos das vias
afetando, assim, vias que não têm nada a ver com o problema causado e aí é que
acontecem os maiores desastres.
3.
Tenha uma conversa com os músicos para terem
paciência, pois você precisará que eles toquem um instrumental pelo menos uma
vez para que você possa alinhar primeiro o P.A. Isto é muito importante para
ter ganho, porque quando você inicia com os monitores vai abrir primeiro o
auxiliar antes de realmente ajustar o nível de entrada (Gain).
4.
Você pode dobrar o canal da voz para fazer a
equalização sem interferir no P.A. Um canal é direcionado só para o P.A., o
outro só para as vias da frente como reforço, com a equalização que o músico
está acostumado. Para dobrar o canal você pode sair por um direct out da
console, ou um insert return, e retornar por um line in da console.
5.
Isto sendo feito, sempre dê prioridade para o
P.A. e sua mixagem. Depois acerte com os músicos, pois aí é só nível de volume,
timbre vai ser pouca coisa.
6.
Deixe sempre a voz por último pois pra encaixar
ela é fácil, nas vias da frente tire no gráfico tudo que for abaixo de 200Hz
gradativamente, de três em três decibéis.
Espero que este artigo seja de
bom uso e que gostem das dicas.
Um abraço,
Gilvan Taveira
gilvantaveira@isbt.com.br
http://www.audionasigrejas.org/dirigir-do-porta-malas/
Técnica para Alinhamento de PA Full-Range com Corte Passivo
Quantos
de vocês já tiveram dificuldade de alinhar um P.A. porque este não tinha um
corte ativo (crossover) dividindo as vias?
Embora com o corte passivo se
economize em amplificadores, com ele também se perde SPL e os componentes
(falantes e drivers) ficam a mercê de um corte fixo sem distinção de ambientes
que casualmente precisariam de mais volume nos drivers de outros que precisariam
de mais volume nos falantes. Ao ar livre você precisará muito mais dos falantes
do que dos drivers em si, pois os drivers são direcionais e se propagam só para
frente, tendo assim um “tiro longo”, superando os graves em distância e
forçando um volume maior nas vias de médio-graves, graves e subs. Enquanto em
locais fechado, normalmente com um pé-direito alto, você precisará muito menos
destas freqüências baixas do que dos drivers, pois as freqüências baixas vão
encher o ambiente com muito mais facilidade do que as altas; a não ser que a
sala seja toda acarpetada, as freqüências da região de 300Hz para baixo são
consideradas omnidirecionais, ou seja, que se propagam para todos os lados,
tornando difícil a compensação somente com o gráfico.
Vamos ao que interessa.
Primeiramente certifique-se de que o salão estará vazio (sem pessoas) antes de
começar. Feito isso, posicione dois pedestais com dois microfones dinâmicos,
com preferência para diagrama polar cardióide não direcional, p.ex. o SM 58 ou
similar, em dois pontos distintos: um a frente do P.A. esquerdo, próximo ao
centro do salão em comprimento e, o outro, na mesma posição só que em frente ao
P.A. direito. No canal em que está plugado o microfone esquerdo coloque o
equalizador esquerdo do P.A. em “flat”. Faça o mesmo com o equalizador da mesa
e gire o PAN para a esquerda. Abra o ganho até “meio-dia” (sem VCA no canal) e
vá abrindo o fader devagar até começar a sobrar. Identifique a freqüência e
atenue em 3 db de cada vez. Continue aumentando o fader até a próxima sobra e
faça isso até o fader chegar em 0 db, sem sobras neste lado. Por enquanto não
mexa nas freqüências que ficaram “flat”. Faça a mesma coisa com o lado direito.
Feito isto, desplugue um dos microfones e coloque o outro no centro do salão,
com o PAN centralizado. Faça novamente para este microfone o que foi feito com
os dois anteriores. Se no primeiro instante não tiver sobra, vamos levantando
as freqüências com o fader em 0 db, vendo quais estão arriscadas a sobrarem e
deixando 3 db menos do que no momento que começarem a sobrar. Algumas ficarão
onde estão. Outras, pela junção dos dois lados, se somarão e precisarão ser
atenuadas. Outras ainda se cancelarão e precisarão de um reforço. Mas com esse
procedimento a sonoridade será satisfatória e com maior nitidez, principalmente
nas regiões que dizem respeito às freqüências baixas, que são o que incomodam
em salões e templos sem tratamento adequado. Conte sua experiência de como
ficou…
Obrigado e um abraço,
Gilvan Taveira
gilvantaveira@isbt.com.br
http://www.audionasigrejas.org/tecnica-para-alinhamento-de-pa-full-range-com-corte-passivo/
Balanceamento de Sinais
Uma
das perguntas mais constantes que ouço quando presto consultoria, ou ministro
um treinamento, é a seguinte: O que é balanceamento e para que serve?
Dificilmente ouvi uma explicação
sobre esse assunto que tenha sanado as dúvidas dos interessados. Ouvi respostas
do tipo “se houver dois condutores e uma malha, o cabo é balanceado”, ou
“balanceamento é um aterramento”, ou ainda “o sistema balanceado elimina todos
os ruídos”.
Na verdade, a definição de
balanceamento contém um pouco de cada uma dessas idéias e vai além.
Infelizmente, não posso pretender que você entenda o conceito de balanceamento
sem abordar o assunto com um enfoque apoiado na Eletrônica, uma vez que o
balanceamento é um fenômeno genuinamente eletrônico. Mas não se preocupe muito,
tentarei fazer isso da forma menos dolorosa possível.
O que é balanceamento?
A principal finalidade do
balanceamento é o cancelamento, ou minimização de ruídos, de natureza
eletromagnética, induzidos nos cabos do sistema de áudio.
O termo balanceamento se
refere a uma técnica que aplica um sinal elétrico à entrada de um circuito
eletrônico e obtém dois sinais simétricos em sua saída: sinais de mesma
amplitude e freqüência, mas com fase invertida.
Leia o
restante no link a seguir: http://www.audionasigrejas.org/balanceamento-de-sinais/
Socorro! O som está muito alto
Em muitas ocasiões, quando participamos
de cultos nas nossas igrejas, ouvimos os irmãos dizerem o seguinte: “O som está
muito alto!”. Não quero aqui discutir as razões pelas quais os níveis de
intensidade sonora que adotamos em nossas reuniões são tão altos porque creio
que já os conhecemos muito bem. Minha intenção em trazer esse assunto à baila é
mostrar a você os prejuízos que essa prática tem trazido à nossa saúde e aos
nossos relacionamentos.
O problema que envolve os altos níveis de
pressão sonora (conhecido como volume), que a partir de agora chamarei de “SPL”,
precisa ser analisada por dois pontos de vista: interno e externo. O ponto de
vista interno está relacionado à saúde auditiva do povo que assiste em nossos
templos enquanto o ponto de vista externo está ligado ao incômodo que levamos
aos vizinhos de nossas igrejas. Vamos tratar das duas abordagens
individualmente.
Altos SPL no interior dos
templos
Já ouvi algumas pessoas dizendo que “se o
barulho que é produzido dentro dos templos não incomodar aos vizinhos, não
importa o que fazemos ali”. Devo discordar veementemente dessa postura. Nós, os
operadores e técnicos de som, somos responsáveis pela saúde auditiva das
pessoas que freqüentam nossas igrejas.
Há inúmeros estudos científicos que
comprovam os prejuízos à saúde causados por exposição continuada a altos SPL.
Um desses prejuízos é a Perda Auditiva Induzida por Ruído, conhecida como PAIR,
que é irreversível.
A PAIR manifesta-se, primeiramente, com a perda de
sensibilidade para as freqüências de 3, 4 e 6 kHz, região onde está concentrada
a inteligibilidade da fala. Perdas auditivas nessa faixa de freqüência
certamente causarão prejuízos à comunicação. À medida que a PAIR se aprofunda,
perdas nas freqüências de 500 Hz, 1, 2 e 8 kHz são percebidas.
A submissão contínua a altos níveis de ruído tem
reflexos em todo organismo e não somente no aparelho auditivo. Ruídos intensos
e permanentes podem causar vários distúrbios, alterando significativamente o
humor e a capacidade de concentração (efeitos psicológicos), além de provocar
interferências no metabolismo de todo o corpo (efeitos fisiológicos). Observe,
na Tabela 1, alguns desses efeitos.
|
Efeitos Psicológicos |
Efeitos Fisiológicos |
|
Perda de concentração |
Perda auditiva até a surdez permanente |
|
Perda dos reflexos |
Dores de cabeça |
|
Irritação permanente |
Fadiga |
|
Insegurança quanto à eficiência de seus atos |
Loucura |
|
Embaraço nas conversações |
Distúrbios cardiovasculares |
|
Perda da inteligibilidade das palavras |
Distúrbios hormonais |
|
Impotência sexual |
Gastrite |
|
Disfunção digestiva |
|
|
Alergias |
|
|
Aumento da freqüência cardíaca |
|
|
Contração dos vasos sangüíneos |
Tabela 1 – Efeitos Psicológicos e Fisiológicos
da Exposição a Altos SPL
Esses efeitos causam também a dispersão dos
ouvintes que, incomodados com a aspereza da sonorização, afastam-se da adoração
genuína e da compreensão da Palavra pregada.
Outros estudos estabeleceram os limites diários
para exposição a altos níveis de ruído, conforme demonstrados na Tabela 2.
|
Nível de Ruído em dB(A) |
Tempo de Exposição Diária |
|
85 |
8 horas |
|
90 |
4 horas |
|
95 |
2 horas |
|
100 |
1 hora |
|
105 |
30 minutos |
|
110 |
15 minutos |
|
115 |
7 minutos |
Tabela 2 – Limites para Exposição Diária a
Altos SPL
Sempre que possível, devemos usar protetores
auditivos quando expostos a SPL acima de 85 dB(A) e evitar exposições a valores
acima de 100 dB(A). Para que você tenha uma idéia ao que estamos submetendo
nossos irmãos, observei por meio de medições utilizando um decibelímetro
(medidor de intensidade sonora), que na maioria de nossas igrejas são atingidos
SPL entre 95 e 110 dB(A) durante os momentos de louvor.
Altos SPL no exterior dos templos
Outra preocupação que devemos ter, e não menos
importante, é com o bem-estar dos vizinhos das nossas igrejas. Em muitos casos,
eles são afastados da Palavra pelo mau comportamento que adotamos ao utilizar
volumes extremamente altos em nossas programações, ignorando o incômodo que
lhes causamos.
Havia uma determinada igreja vizinha à minha casa
que não sabia por que razão as pessoas que moravam em seu entorno não
freqüentavam suas programações. Certa vez eu estava em meu quarto preparando
uma aula quando o culto naquela igreja começou. O barulho era tanto que resolvi
realizar uma medição com meu decibelímetro. Para minha surpresa medi, dentro do
meu quarto, 105 dB(A). Gostaria de ressaltar que minha casa ficava do outro
lado da rua (distante cerca de 20 metros) e a parede da igreja que estava de
frente para mim não possuía janelas. Agora imagine: se dentro da minha casa, do
outro lado da rua, o nível de barulho atingiu 105 dB(A), qual não era seu valor
no interior do salão?
Esse exemplo serve para demonstrar como o barulho
pode afastar aqueles que queremos alcançar. “Bom…”, você me dirá: “Paulo
incomodava as pessoas por onde passava. Importa que obedeçamos a Deus e não aos
homens”. Muito bem, o texto bíblico em Atos 16:20 realmente afirma isso, mas
nesse caso, o que incomodava não era o barulho, mas a Palavra de Deus. Quando a
Palavra incomoda, as pessoas são atraídas; quando é o barulho que incomoda,
elas se afastam.
A maioria das cidades tem legislação que
disciplina o controle de emissão de ruídos. Aquelas que não possuem esse tipo
de lei específica se apóiam em legislação federal que trata do assunto. Há uma
resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), Resolução nº 01/98,
que determina a utilização, como referência, das normas da ABNT 10.151 e 10.152
para a elaboração de leis de controle de ruídos.
Procure conhecer essas leis e normas. As
leis, em geral, estão disponíveis para download nos sites de Internet das
prefeituras e as normas da ABNT podem ser adquiridas diretamente naquele órgão.
Faz parte de sua função, como responsável pela sonorização de sua igreja,
conhecer as leis que regem sua atividade para que, dessa forma, você possa
demonstrar respeito e interesse pelo bem-estar dos seus vizinhos.
Para terminar…
… gostaria que você analisasse bem essas
informações e tomasse atitudes construtivas em relação a esses problemas. Há
profissionais que podem ajudar na medição dos SPL praticados por sua igreja
dentro e fora de suas paredes. Procure-os para melhorar as condições de
conforto daqueles que freqüentam seus cultos e não incomodar aqueles que
residem próximo a vocês. Independentemente disso, você certamente pode baixar
um pouco mais o nível de SPL atirado sobre seus ouvintes e vizinhos.
Abraços silenciosos.
David Fernandes
Tecnólogo de Telecomunicações
Membro da Audio Engineering Society (AES)
Membro da Associação Brasileira de Profissionais de Áudio (ABPÁudio)
audiocon.mail@uol.com.br
http://www.audionasigrejas.org/socorro-o-som-esta-muito-alto/
Caixas Ativas ou Passivas?
A
escolha das caixas acústicas é algo um pouco mais complexo. É preciso verificar
se as caixas atendem às suas necessidades de cobertura sônica. A cobertura
sônica depende fundamentalmente de dois parâmetros: ângulos de dispersão
(horizontal e vertical) e sensibilidade. Em geral, os fabricantes de caixas
mais baratas não oferecem quaisquer informações sobre o produto além de
potência e impedância. Tente conseguir um teste das caixas no templo e veja
como se comportam. Mas não esqueça de tentar obter essas informações com o
vendedor, ou fabricante, se já não estiverem disponíveis. Sobre caixas ativas e
passivas, acho as ativas, de longe, uma melhor opção. As vantagens são muitas:
a) você pode mandar o sinal mixado por meio do multicabo, economizando na
compra de cabos para caixas;
b) praticamente elimina o
problema de baixo fator de amortecimento, que é função da impedância. As
resistências dos cabos se somam às impedâncias das caixas, diminuindo o fator
de amortecimento, degradando o desempenho dos amplificadores. Como nas caixas
ativas, os cabos são eliminados, o fator de amortecimento do amplificador
embutido na caixa não sofre alteração;
c) ocupam menos espaço e
facilitam o transporte.
A principal desvantagem é o
preço mais salgado.
(David Fernandes, na lista
somigrejas)
http://www.audionasigrejas.org/caixas-ativas-ou-passivas/